[música] Bem-vindos ao Sacramento do Momento Presente, o podcast de formação espiritual da Igreja Esperança. [música] Hoje é sexta-feira, dia 14 de agosto de 2026. Tempo de preparação para o 12º domingo do tempo comum. Eu sou [música] Luci Alves e vou ler com vocês o Salmo 133, que diz assim: [música] "Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união. É como o óleo precioso derramado sobre a cabeça que desce pela barba, a barba de Arão, [música] até a gola das suas vestes. É como orvalho do Hermon quando desce sobre os montes de [música] Sião. Sim, ali o Senhor concede a sua bênção, [música] vida para sempre. O início desse salmo traz uma afirmativa muito repetida no meio [música] cristão, aparecendo inclusive com certa frequência em algumas músicas que cantamos. cantamos. Como é [música] bom e agradável quando os irmãos convivem em união. Mas será que a compreendemos para além de sua beleza poética? Será que a temos vivido? vivido? Afinal, vivemos na era do individualismo, do distanciamento e do isolamento. Escutamos constantemente [música] frases como: "Eu vou à igreja só para ouvir a palavra e ir embora. Eu amo a Deus, mas o povo da igreja é outra história. [música] Minha espiritualidade é algo pessoal e íntimo entre eu e Deus. Na verdade, não preciso de mais ninguém." Essas e [música] tantas outras frases demonstram a perda da consciência da importância da comunhão ou o desconhecimento de que ela é fruto do transbordamento [música] de amor da trindade santa. O salmo que lemos faz parte da coletânea conhecida como cântico dos graus. Está relacionada [música] à tradição de peregrinar até Sião para os três festejos anuais. Imagine [música] a cena. De todas as partes de Israel vinham pessoas para celebrar e o local ficava repleto de gente. [música] Aos olhos do salmista, era uma bela representação da união da comunidade da aliança, [música] ligada pela fé comum. No texto foram usadas duas imagens principais [música] para tentar descrever e expressar sua apreciação dessa comunhão. Primeiro, compara a união dos irmãos de fé ao óleo usado para um girarão, [música] consagrando-o para o seu ofício religioso, e em sequência ao orvalho do irmão. Em Êxodo [música] 28 e 29, vemos o cuidado de Deus e o detalhamento minucioso dado a Moisés sobre as vestes sacerdotais que seriam usadas pelos sacerdotes do Senhor, [música] bem como no preparo dos olhos que seriam utilizados na cerimônia de consagração. Quando o salmista compara a comunhão dos irmãos, ao óleo precioso descendo pela barba até a gola da veste tão exuberante, ele evoca uma memória que envolve os sentidos humanos, o olhar que vê a beleza, o olfato que sente os perfumes e assim por diante. Mas tal beleza e tal perfume só são possíveis porque Deus orientou cuidadosamente o preparo de todas as coisas. Na segunda imagem, a comunhão é comparada ao orvalho do Monte Hermon, que traz a memória o fato de que em lugares que sofrem com aridez, a queda da temperatura à noite que gera o orvalho sobre as plantas, as pedras e as superfícies significa vida para a fauna e a flora dessas regiões. Contudo, o monte Hermon está localizado a centenas de quilômetros do monte de Sião, onde ficava a capital de Israel. Então, seria impossível que o orvalho se deslocasse tanto assim. Mas como na primeira imagem, essa não é só uma constatação de situações que eram comuns e bem conhecidas pelo povo de Israel, mas era a constatação da realidade que só é possível no Senhor. Assim como a comunhão do povo, possível somente através da ação de Deus, que é capaz de abençoar os que estão perto e aos que estão longe. metáfora [música] fala de um Deus que cria e que está envolvido pessoalmente com a vida daqueles que chamou para si. Assim, o encontro do povo em Sião não era uma demonstração nacionalista, mas uma busca pelos meios de graça designados por Deus para a renovação da vida na sua totalidade. [música] Bção e vida reservados para a família de Deus. A beleza que o salmista via na comunhão não era proveniente do povo. Embora também fosse manifesta na ação do povo, ela derivava e tinha como [música] fundamento a ação de Deus. A declaração como é bom e agradável quando os irmãos vivem em união, vem [música] não da ausência de conflitos e dificuldades, mas da certeza de que quando em comunhão, unidos pela mesma fé, [música] pelo mesmo amor e a mesma esperança, certamente é bom e agradável, pois essa é a vontade de Deus para o seu povo. E nesta relação, Deus [música] concede a bênção e a vida. Nós, a igreja de Cristo, [música] povo eleito do Senhor, experimentamos a união espiritual profunda que todos os [música] cristãos tem com Cristo e também uns com os outros. Na comunidade de fé, por causa de Cristo e em Cristo, usufruímos a graça de Deus nos servir e sermos servidos. Exercitamos de maneira prática a união ao compartilhar a vida, a fé [música] e os dons com nossos irmãos de caminhada, somente em comunhão com o corpo de Cristo e para sua edificação que experimentamos a diversidade dos dons. E embora nos acheguemos ao Senhor através da leitura da palavra e da oração, é no corpo que somos expostos aos sacramentos e a pregação da palavra. >> [música] >> é onde experimentamos a comunhão que edifica, corrige e sustenta. No corpo de Cristo, lavamos os pés de um irmão [música] enquanto ele enxuga nossas lágrimas. É aí que choramos e rimos juntos, onde a correção bem aplicada e com amor favorece o crescimento espiritual. Que alegria é sermos recebidos na mesa de Cristo. E quão bom e agradável é quando, imitando o nosso Senhor, com amor [música] e hospitalidade, recebemos em nossas mesas e partilhamos vida. A comunhão do povo de Deus é boa e agradável. [música] Não porque não existam limitações, não por refletir desejos corrompidos de nosso coração, [música] idealizando o que é viver em união, mas porque o óleo já está derramado em Cristo. Somos capazes de nos achegarmos ao Pai e também a nossos irmãos. Por causa de Cristo, temos o Espírito Santo que é Deus e habita em nós e trabalha [música] incessantemente para nos auxiliar na relação com os irmãos, para nos aperfeiçoar e nos capacitar ao amor, ao arrependimento [música] e ao perdão. que cada vez que nos reunimos em um culto público, cada vez que trabalhamos juntos na promoção do reino de Deus e na proclamação do Evangelho, enquanto caminhamos, enquanto cuidamos e somos cuidados de múltiplas formas na lida diária, experimentamos uma união que é como orvalho, nos hidrata e nos fortalece, [música] enchendo-nos de vida. O experimentar dessa comunhão visível entre o povo de Deus é uma antecipação [música] do que viveremos eternamente com o Senhor. Neste momento, ainda é imperfeita, [música] mas chegará o dia que a desfrutaremos em sua plenitude. Contudo, [música] é um privilégio que nem todos os cristãos podem desfrutar com liberdade, os que estão em terras onde [música] é proibido pregar o evangelho, os que estão enfermos nos hospitais ou os que estão encarcerados. Oremos por estes irmãos, [música] para que o Senhor continue sustentando-os e para que todos nós, sempre que possível, os auxiliemos. >> [música] >> Oremos também por nós, para que tenhamos consciência da profundidade que é podermos experimentar da graça de Deus através da comunhão no corpo de Cristo e para que o Espírito Santo nos capacite para vivê-lo, não como algo que deriva de nós, mas como resposta de gratidão e obediência ao que temos recebido e aprendido de nosso Senhor. Eu [música] te convido para abrir a sua Bíblia agora ou em outro momento e refletir sobre o Salmo 133. Leia devagar e com atenção. Escute o Senhor falando com você através de sua palavra. Considere essas sugestões para sua reflexão. Você tem experimentado a comunhão com os irmãos [música] para além do culto público? público? Aproveite este tempo para orar a [música] Deus e pedir que o Senhor te auxilie a tomar o primeiro passo para se envolver nas atividades [música] de sua igreja local, permitindo-lhe caminhar mais próximo dos irmãos, servindo e sendo servido, para que te [música] capacite para a glória de Deus, a receber em sua mesa e gerar vida em seu entorno, para que ele te auxilie a experimentar a comunhão com o corpo de Cristo na face da [música] terra, de forma que seu coração vibre como do salmista. Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união. É como o óleo precioso derramado sobre a cabeça. É como o orvalho do irmão quando desce sobre os montes de Sião. [música] Você ouviu o devocional semanal do sacramento do momento presente? [música] Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis na tua presença, [música] Senhor.