Salmo 104 verso 1. Tema de hoje é a economia da graça na série Riquezas e Pobrezas. Salmo 104 verso 1. Lerei até o verso 3. Depois nós vamos dar um pulinho. Vamos lá nos versos 10 a 24. Leio aqui na Nova Almeida atualizada, mas você pode acompanhar com a sua versão que você tem em mãos aí, sem problema nenhum. Bom, assim diz a palavra do Senhor, Salmo 104. Salmo 104. Bendiga minha alma, o Senhor. Senhor Deus meu, como tu és grandioso. Estás revestido de glória e majestade, coberto de luz como de um manto. Tu estendes o céu como uma cortina e pões nas águas o vigamento da tua morada. Tomas as nuvens por carruagem e voas nas asas do vento. Verso 10. Tu fazes rebentar fontes no vale, cujas águas correm entre os montes, dão de beber a todos os animais do campo. Os jumentos selvagens matam a sua sede. Junto delas, as aves do céu t o seu repouso, e por entre as ramagens, ela se põe a cantar. Do alto da tua morada regas os montes. A terra farta-se do fruto de tuas obras. Fazes crescer a relva para os animais e as plantas que o ser humano cultiva para que da terra tire o seu alimento. O vinho que alegra o coração, o azeite que lhes dá brilho ao rosto e o pão que lhes sustém as forças. São saciadas as árvores do Senhor e os cedros do Líbano que ele plantou, em que as aves fazem os seus ninhos quanto a cegonha. A sua casa é no se prestes. Os altos montes são das cabras montes e as rochas, o refúgio dos arganazes. Fez a lua para marcar o tempo. O sol conhece a hora de se pôr. Envias as trevas e vem a noite na qual vagueiam os animais da selva. Os leões. Os leões rugem. rugem pela presa e buscam de Deus o seu sustento. sustento. Em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis. Então, as pessoas saem para o seu trabalho e para o seu serviço até à tarde. Que variedade, Senhor, nas tuas obras. Fizestes todas elas com sabedoria. A terra está cheia da tua riqueza. Vamos orar. Senhor, me ajuda a falar da tua palavra, que eu fale dela com respeito. A tua palavra é santa. Os teus ditos na Escritura Sagrada são sagradas. Então, peço que o Senhor me ajude a falar da tua palavra com dependência total do teu espírito. O Senhor insiste em falar da tua palavra e salvar os que se perdem pela palavra da pregação, pela loucura da pregação. Então, fala conosco como que por profecia sopra a tua palavra aos nossos ouvidos e corações. desperta fé no coração incrédulo, na vida árida, desperta adoração em nossas mentes e corações e que o Senhor se faça presente, independente de nós, se faça presente. Nós contamos com a tua graça, com o teu auxílio. fala com poder, com autoridade e livra essas pessoas, meus irmãos e irmãs aqui, de ouvirem o homem pregando e falando coisas aqui na frente. Eles precisam ouvir a tua voz. Então, fala conosco, Senhor, em nome de Jesus. Amém. Amém. Economia da graça. Palavra economia é uma combinação de dois termos gregos, oicos e nomos. Oicos quer dizer casa, morada, residência. E nomos vem do termo grego lei, a ordem, a norma, o princípio. Quando a gente fala de economia da graça, é claro, num primeiro momento, esse termo era um termo da administração de uma casa. Era como uma casa se organizava. Depois foi assumindo um sentido cada vez mais ampliado. Falar de economia é falar da ordem da realidade, é falar do governo doméstico, é da administração de uma de um domínio. Não demorou muito. O termo economia saiu da mera gestão doméstica do orçamento caseiro e se tornou um termo para descrever a ordem do próprio fluxo de valores no mundo, de uma nação, de uma realidade maior. economia, então se torna assim uma descrição de como a realidade se organiza, como ela funciona. E quando falamos na teologia de economia, estamos falando da própria maneira como a realidade que Deus criou funciona e é sustentada. é a ordem do mundo. Poderíamos até dizer dessa maneira que falar da ordem da casa é falar da ordem do mundo que Deus criou, dessa extensão da sua morada, que é o mundo criado. Dessa forma, não é à toa que a Bíblia em algumas vezes vai descrever Deus como um rei. Um rei que governa um reino ou um pai que governa a casa. Termos pai e rei, casa e reino são intercambiáveis na Bíblia. Quase como se a gente tivesse ao olhar pro mundo olhando paraa casa de Deus e ao olhar para Deus olhando pro Pai que governa essa casa. Claro que quando falamos de uma economia da graça, estamos falando de uma maneira específica do mundo de Deus funcionar. E aqui quando falamos de graça, falamos do que a Bíblia, pelo menos o Novo Testamento em grego, chama de haris. Raris é de onde vem o termo carismático. Carismático, de onde vem o termo carisma e assim por diante. Tanto que as palavras graça e dom são uma derivada da outra. graça raris, domismata ou carismata, que alguns traduzem em português. De fato, quando falamos de uma economia da graça, estamos nos referindo aqui uma ordem da realidade que funciona a partir da lógica da graça, da lógica da dádiva. E essa dádiva procede, evidentemente, de Deus. Deus como supremo doador. E não só doador, é a maneira como ele governa o mundo e faz o mundo funcionar. emerge da sua graça, do seu carisma, do seu haris. Esse é o ponto. Mas claro, antes da gente ir pra descrição de Deus, a gente precisa fazer um exercício aqui agora imaginativo de voltar no tempo e olhar pra realidade do mundo antigo. A gente pode achar de forma muito intuitiva, a gente mora no ocidente de que, ah, Deus é bom, Deus é gracioso, Deus é generoso. A gente pode fazer essas descrições de Deus de maneira muito no chute assim, né? Mas no mundo antigo as coisas não eram bem assim. Eu vou explicar. Se você comparasse as diferentes religiões do mundo antigo, me refiro aqui à época de Abraão, Moisés, OK? Época do rei Davi, esse período do mundo antigo, né? chamada era do bronze, a era de ferro, né, do mundo antigo. Se você olhar para essa essas duas grandes eras do mundo antigo, o que você vai encontrar são diferentes mitos de deuses e religiões em diferentes territórios do chamado antigo oriente próximo, que é um pedaço do Oriente Médio, um pedaço da África, um pedaço da Pérsia, da Babilônia, do antigo, do atual Iraque. Se você juntar essa região, que alguns chamam de crescente fértil e comparar essas diferentes religiões, você perceberia diferentes percepções das suas divindades. É verdade. Os deuses do Egito não eram os mesmos adorados na Babilônia, na Suméria, na Cádia, na nos cananeus. Não era. Eram deuses distintos, com nomes distintos, com histórias distintas, mitos distintos, adoradores e sacerdotes distintos, exigências cultuais distintas. Contudo, existe uma coisa que é comum a todas as antigas religiões dessa região. Uma coisa comum, pelo menos uma delas, tem outras coisas, mas essa é muito importante. Existe um importante estudioso chamado John Aon, que escreveu um livro chamado Pensamento do Antigo Oriente próximo e o Antigo Testamento. Um livro muito interessante em que ele faz uma pesquisa com vários textos que foram encontrados, registros, textos em pedras, em argila, e ele compara os diferentes textos do mundo antigo e começa a descrever como essas religiões funcionavam. E ele percebe que tem duas coisas muito comuns nessas religiões. Primeiro, claro, a cosmogonia. O que que é cosmogonia? Como que eram as narrativas de como o mundo surgiu? Diferentes mitos descrevem a origem do mundo de forma diferente. Mas se tem uma coisa que é comum, é o que está dentro da cosmogonia, dentro da origem do mundo nesses mitos. É a antropogonia. O que que é antropogonia? A origem do homem. Como que essas diferentes religiões descrevem a origem do homem? São diferentes, mas a razão é igual. Qual é a razão comum entre os deuses do Egito, os deuses da Babilônia, os deuses da Pérsia, os deuses cananeus? Porque todos os deuses do mundo antigo, cada um dentro dos seus mitos, criaram os homens. E por que isso é importante? Porque quando nós nos debruçarmos e olharmos pro Deus que está revelado na Bíblia, nós vamos ter aí critério de comparação, porque era assim que o mundo antigo funcionava, era assim que as pessoas imaginavam as razões porque os deuses criaram os homens. E qual era a razão porque os deuses criaram os homens? Em todos esses mitos, os deuses precisavam ser servidos pelos homens. Os deuses criaram os homens porque em algum momento eles cansaram de produzir o seu próprio alimento, cansaram de ser servirem a si mesmos e adivinha o que eles criaram? Claro, o chat é PT, né, gente? A inteligência artificial, né? Tô brincando, mas é o equivalente, né? Você tava cansado, trabalhando muito, cansado de fazer planilha, não é assim? Aí você criou o chat de EPT para te ajudar. Mas de fato, nos mitos do mundo antigo, a criação dos homens, a criação dos seres humanos era que os seres humanos fossem prestadores de serviço para as divindades. As divindades tinham fome. Os deuses, os os servos, os adoradores levavam seus sacrifícios, levavam suas ofertas, suas libações, faziam suas liturgias e em troca o ser humano era beneficiado pelos deuses. Para quê? para continuarem trabalhando para os deuses. John Walton vai chamar isso da grande simbiose. Que que é a grande simbiose? A grande troca. Deuses e e homens estão em permanente dependência um do outro. Os deuses são reis ociosos, que gostam de ser bajulados e, por isso servidos pela humanidade. E a humanidade recebe em troca os benefícios dos deuses. Quase como que numa lógica, atenção isso aqui, quase como que numa lógica econômica, deuses e adoradores estão numa permanente barganha, uma permanente negociação. você negocia com as divindades, as divindades te dão algo em troca e assim uma economia religiosa acontece, mas ela acontece dentro de uma lógica da dívida, porque nesse caso o adorador está sempre endividado, permanentemente endividado com os deuses. E os deuses são sempre aqueles que dão crédito na medida em que você se sacrifica por eles. Observe que é uma lógica muito específica de adoração, de culto, de serviço. É uma relação de codependência entre as divindades que estão sempre demandando, em falta, exigindo e uma humanidade sempre escravizada por essa relação de dívida. O Salmo 104, contudo, descreve um outro Deus. E aqui é o ponto radical da revelação bíblica monoteísta, tá gente? A fé em um único Deus, ela é revolucionária no mundo antigo. Porque isso nunca não havia nenhum povo no mundo antigo que tivesse uma compreensão de Deus nesses termos do Salmo 104. Para começar, o Deus do Salmo 104 não cria por carência. Ele não cria o mundo e ele não sustenta a realidade porque ele está demandando dos seus adoradores bajulação. Ao contrário, a descrição do salmo começa com uma convocação do salmista, dizendo: "Bendiga minha alma ao Senhor". O adorador, o salmista está descrevendo e refletindo, devolvendo para Deus a generosidade recebida recebida em língua hebraica, barri nafishi et adonai, né? Que a minha alma bendiga o Senhor. Que a minha alma entregue os bens ao Senhor. E por que entregar bens a ele? Porque há um débito. Não, porque o adorador está navegando no oceano de abundância. Ele está imerso numa realidade tecida pela graça. Cada estrutura da realidade, cada relações biológicas, cada evento, fenômeno natural, apontam para um Deus abundante em tudo generoso. É uma outra percepção da realidade, é uma outra percepção de mundo que nasce de uma revelação de Deus. Mas esse é o ponto, é que o salmista não conhece a Deus como mero espectador. Ele conhece a Deus na medida que adora a Deus. E quanto mais ele adora a Deus, mais conhecimento de Deus ele tem. Esse era um ponto crítico entre os cultos do mundo antigo, os adoradores nunca sabiam no fim se a divindade estava satisfeita com a sua oferta. Não tinham como saber. Não tinham como saber se o sacrifício era o legal, que a divindade aceitou. Você não tinha, você tinha tradições, rumores, hipóteses religiosas. Você não tinha o que a gente tem no Antigo Testamento, um Deus que se revela deliberadamente. Ele abre a cortina da eternidade e se põe no mundo, salvando, redimindo, escolhendo, levantando profetas para revelar a vontade dele. Isso é sem precedentes na história. Sem precedentes. Mas é um Deus que se coloca na história não como um Deus carente, não como um Deus que anda exigindo, porque ele demanda ser servido por seus adoradores, porque ele é um Deus de falta. Ao contrário, o salmista descreve esse Deus para começar no verso um, na parte B e na no verso dois, como um Deus que está trajado. Não sei você percebeu a linguagem poética aí. Ele está trajado como um rei. Ele está vestido de glória e de majestade. majestade. Ele está coberto de luz como manto. Aqui é um ponto crítico. Na visão naturalista, se você fosse ali um filósofo do século XVI, século X7, a filosofia deísta, né, um pouco ali depois do final da da Idade Média, início da modernidade, os filósofos concebiam que o mundo tinha sido gerado, parido, criado por um Deus. Sim, Deus criou o mundo, mas Deus criou o mundo como um grande relógio. Ele pôs corda no relógio e não necessariamente eles têm que estar presente envolvido com o mundo. Deus pode estar muito bem jogando golf. E o mundo tá aí funcionando por leis naturais, por fenômenos naturais, fotossíntese, lei da gravidade, né? E por aí vai. Mas Deus não precisa necessariamente estar envolvido com a realidade. Ele não precisa necessariamente estar presente no mundo. Mas é claro que o cristianismo e a tradição judaico cristã especificamente não admite tal hipótese. João Calvino, reformador da igreja, quando escreveu as institutas da religião cristã, deixou muito claro que um cristão não tem que admitir não apenas que Deus é a causa da realidade, a origem do mundo, que Deus deu o primeiro empurrão na máquina. Não, a gente tem que admitir sim Deus como criador, mas também temos que admiti-lo como sustentador de toda a realidade. Deus como economio, a palavra economia, Deus como econom brincava que bem pode ser que Deus crie margarida todos os dias separadamente. Pode ser que Deus diga pro sol todos os dias de novo, pode dar mais uma volta. todos os dias. De fato, quando eu olho pro livro de Hebreus, capítulo 1, vejo que o autor de Hebreus diz claramente que Deus sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. Você pensa nisso? Que um decreto divino te manteve vivo por mais um minuto? Um decreto divino te fez respirar por mais um segundo. E se por alguma razão Deus parar de decretar, a sua vida acaba. A sua existência é fruto eh concebido todos os dias por um ato deliberado de um Deus que não apenas cria, mas sustenta tudo que existe. E é com essa lente encantada, viu gente? O salmista tá encantado. Com essa lente encantada que o salmista olha pro mundo e interpreta o que um biólogo ou um geólogo veria como fenômenos naturais. Mas para ele não, para ele não passa de um espetáculo. Um espetáculo de um Deus que é abundante em tudo que faz, generoso em tudo que é. É assim que ele é. Ele não é um Deus carente que demanda, não é um Deus escasso, é um Deus diverso que explode sua criação em cores, texturas, formas, sabores, ângulos, tudo diferente, tudo diverso. E é isso que ele vai descrevendo. E e a linguagem da poesia hebraica aqui é belíssima, né? Verso 10 diz: "Tu fazes rebentar fontes no". Quem faz? Deus faz. Por que ele faz? Porque ele é o rei da realidade. Ele é o ecônomo. Ele é o regente da casa. Ele põe as coisas funcionando, ativamente funcionando, quase como maestro, né? Deus é quase como maestro, né? Cachoeira pode romper, vulcão pode entrar erupção, mar pode recuar, tsunami vem acontecer e Deus tá ali como um grande maestro da criação. Tu fazes rebentar fontes no vale cujas águas correm entre os montes. Verso 11. Dão de beber a todos os animais do campo. Regas os montes, a terra se farta do fruto de suas obras. No verso 13, no verso 14, Deus Deus mesmo ativamente faz crescer a relva para os animais e as plantas que o ser humano cultiva para que da terra ele tire o seu alimento. No verso 15 diz que é Deus quem traz o vinho que alegra o coração. Talvez você diga assim: "Ah, não, o vinho. Vou foi lá na vinícola, no Rio Grande do Sul que eu visitei, que eu trouxe uma garrafa de vinho, merlô, sei lá, pode dizer isso. Mas e a uva? E a videira? Quem mandou a chuva na estação própria? Quem criou as condições? E quem que criou a genética desse fruto? Quem foi o inventor da uva? OK. Eu me lembro que estava com minha filha um tempo atrás numa fazenda. Ava isso no castelo domingo passado e aí de repente ela viu um pavão pela primeira vez e a Teresa é da arte, né? Então ela olhou assim, falou: "Nossa, pai, quanta cor que tem naquele pavão. Olha que coisa bela". Ficou impressionada com as cores, né? E o João já vê, não acho que é fúxia. Eu nem sei o que que é isso, gente. Dizem que é uma cor, tá? Fúcia. Meu pai que falava essas coisas meu pai artista plá fúcia, ocre, né? Mas enfim. E aí ol ela olhando encantada com aquele pavão, com aquelas cores, aquelas matizes, né? aqueles espectros de cor, aquela paleta absurda. E aí eu baixei assim e falei para ela: "Ô filha, você achou bonito?" Nossa, pai, muito bonito. Pois é, imagina aquele que criou o pavão, pavão, não é verdade? Se se Deus colocou essa explosão de cores, de formas, de experiências, de beleza no mundo, se a gente já fica encantado, sabores incríveis, a gente fica fascinado, a gente encontra prazer nessas coisas, imagina aquele que é a fonte de tudo isso. E detalhe, uma fonte inesgotável, permanentemente todo tipo de bem, de beleza, de formosura, de textura, saindo dele o tempo inteiro. Você imagina isso? Eu não sei você, mas a nossa perspectiva de uma cultura em que a economia é baseada na escassez e não na abundância, acompanha esse raciocínio. Eu, eu Igor seria absurdamente econômico se eu fosse criar o mundo. Um cavalo de uma cor só. Não é não. Casa encerrado. encerrado. Casa encerrado. Pássaro. Um só. O urubu que é o mascote do meu time, só o Léo ia botar o galo, né? Ia botar o galo, mas não sei. Cada um tem daria sua prioridade, né? Sua prioridade. Uma diversidade. É uma diversidade. Eu brinco com os irmãos aqui, imaginando o Charles Darwin, OK? Fazendo taxonomia. Aí ele tá lá, tem um bicho chamado pássaro. Beleza. Aí tem quantas espécies? Não sei. 300 espécies de pássaro. Quais são as características? Em pena, não sei o que voa. Mas tem um que não voa. Qual? pinguim ferrou, não voa nada. Aí você fica assim: "Ué, mas não, como é que eu encaixo na taxonomia, né?" E aí você vai tendo essas variáveis. variáveis. Aí você tá lá quadruped, cavalo, não, mas tem a zebra. Aí você fala assim, mas zebra é o quê? Um bicho preto com listas brancas, um bicho branco com listas pretas, né? Difícil de descrever. Aí quando você já tá dominando a taxonomia dos quadrúpedes, Deus vai lá e põe uma girafa, o pescoço, né, comprido. Aí você olha pra girafa e fica assim: "Nossa, acabou não." Aí você vai observando. Pássaro voa? Não, mas morse também voa, mas é mamífero. Ferrou. Peixe, ah, tudo tem escama, né? Eles são ovíparos e tal. e bota uma baleia mamífera na água e aí vai ficando complexo, a pesquisa biológica vai ficando complexa. Aí quando você tá no auge achando que tá tá toda a tabela taxonômica dominada na sua economia, né, na sua economia da escassez, aí Deus vai te dar um hornito rinco. Aí quebrou tudo, né, gente? Como é que você classifica o ornito rinco? Calda de casto é o víparo, é mamífero, tem veneno. Que que é isso, gente? Não é pata. pata de de pato. É, é tudo ao mesmo tempo, tá tudo concentrado. Eu eu tenho uma hipótese que eu acho que Deus fez aquilo para zoar com Darwin. Eu acho. Não é possível. Não tem tem que ter um sentido, né? Não encaixa. Mas por que tudo é abundante? Porque tudo é extravagante? Porque tudo é exagerado? Porque Deus não economiza a gente. Deus não é econômico em nada. Olha, na teologia nós chamamos a teologia tem duas fontes. Não sei se você sabe disso. A teologia tem duas fontes para conhecimento de Deus. São dois livros. U não é um só não, né? A Bíblia só não. Não. A teologia cristã tem dois livros. Os teólogos clássicos falavam que eram dois livros. Ah, e lá vem a heresia. Não, heresia não. Totalmente ortodoxo. Vocês vão ver o livro das palavras de Deus, que é a Bíblia Sagrada, e o livro das obras de Deus, que é a criação dele. >> É, então nós cristãos, quando olhamos paraa criação de Deus, a gente consegue inferir coisas sobre quem Deus é. E quando eu olho paraa criação de Deus, eu não vejo um Deus econômico. Eu não vejo um Deus orando, operando pela escassez. Eu vejo um Deus que explode de diversidade. Aí você fala: "Ué, não é só dinheiro". Não, não. Gente, eu já falei também sobre isso aqui na igreja. A minha raiva, eu falo raiva, não tem outro nome para isso não. Raiva tem que fazer cura interior, provavelmente. Mas a minha raiva com a teologia da prosperidade é essa. Por quê? Porque ela é medíocre. Medíocre. Só existe um tipo de riqueza na teologia da prosperidade. E quando eu olho para Deus, é uma explosão. Explosão. Explosão. Tem gente que pode não ter uma conta bancária recheada de dinheiro, pode, mas ela consegue apreciar a beleza, a bondade e a verdade como ninguém. Como ninguém. Porque prosperidade não é acordar pensando no potencial de consumo que você tem. Não é prosperidade. É você olhar para um Deus rico e olhar paraa frente, falar assim: "Tá tudo bem". Tá tudo bem. Prosperidade é entrar na economia de Deus, que não é de grana. Também é, mas não apenas. A economia de Deus é de múltiplas riquezas, múltiplos bens, porque Deus é múltiplo. Ele não opera pela escassez. Dependendo da visão que de Deus que você tem, você vai ver um Deus medíocre, pequeno. Por que que a gente ora pedindo a Deus o pão nosso de cada dia? F não foi eu Deus não mandou o pão do céu igual maná com o povo de Israel no deserto na minha mesa não foi. Eu fui na padaria, fiz o Pix, comprei o pão, botei na mesa. Não vem com essa não. Ah, é? Vai fazer a genealogia do pão. Dá para fazer. Aí você vai na padaria, vai no saco que tá na padaria de trigo. Aí você vai no cara que vendeu o trigo. Você vai chegar no trigo lá na Argentina. Você vai chegar lá no trigo plantado na Argentina e você vai ver Deus controlando o tempo, mandando chuva, fazendo a mordomia da semente, o DNA para ela nascer um trigo, não nascer uma jaqueira. Concorda? Quem que tá fazendo essa gestão? Tá entendendo? Vai ler o segundo livro de Deus. Tem que ler o segundo livro de Deus, o livro das obras de Deus, para você discernir como Deus é e como ele funciona. As árvores do Senhor são saciadas. está matando a sede das árvores. Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o seu alimento, o seu sustento. Verso 21. Verso 23. Até as pessoas saem de manhã pro seu trabalho. Até isso é considerado criação de Deus, irmão. Você acordar de manhã às 5 da manhã, toma um banho, um café, pega o carro, vai pro trânsito horrível de BH, que eu sei, tá ruim, mas você tá indo pro trabalho. Isso é o quê? Obra de Deus. Tudo isso é obra de Deus. Tudo isso é diversidade de Deus. E aí o salmista no verso 24 explode em adoração. E aí ele diz: "Que variedade, Senhor, nas tuas obras. Fizestes todas elas com sabedoria e a terra está cheia das suas riquezas." Que maravilhoso. E é maravilhoso agora imaginar que esse Deus se revelou num mundo em que todo mundo concebia Deus. Ao contrário, todo mundo concebia um Deus que estava sempre explorando o trabalho alheio, carente, exigente e um monte de gente trabalhando muito para entregar para esse Deus, para receber um benefício em troca. E de repente o que aparece não é um Deus da dívida, é o Deus da dádiva, não é o Deus da falta, é o Deus da abundância, não é o Deus da necessidade, da carência, da demanda. É um Deus que é abundante em tudo que faz. E aí para ir para aumentar a escalar a sua glória, Deus ainda cria criaturas, a sua imagem e semelhança, e as coloca no mundo. Para quê? Para continuar reproduzindo a mesma lógica dele, refletindo a mesma lógica dele no mundo, imagem dele para ser portador de como ele é e de como ele funciona no mundo. Então, por que Deus criou um jardim? Porque ele colocou o ser humano? Porque estava carente? Não, porque Deus é tão abundante no que ele é que ele tá expandindo o jardim do seu domínio de graça. E disse pro homem: "Crescei, multiplicai, guarda o jardim". Cultiva o jardim para quê? Para expandir. Muita gente pode imaginar que Deus podia fazer assim. De repente, sei lá, Deus aparece na história, aparece no mundo e aí ele fala assim pro homem: "Ó, quer saber? Você tá vendo esse deserto aí cheio de pedra, cascalho, seco? Então, tá aqui um saco de semente e uma enchada. Vai lá e faz um jardim do Éden para mim". Mas ele não fez isso. Não fez isso. Ele já te colocou no jardim. Ele já te colocou no domínio da graça. Ele te colocou no domínio da abundância. Tava tudo lá. Todo o potencial criacional tava lá. Tudo que a gente usa nas nossas tecnologias, silício, n? Tava lá. Já tava lá. Já tava todo o potencial de bem já estava disponível lá. Qual era o nosso trabalho? refletir a economia de Deus no mundo, a abundância de Deus no mundo, crescendo, multiplicando, partilhando bens, suprindo necessidade no outro, o outro suprindo necessidade em mim, porque todo mundo tá cheio da graça, cheio do bem, todo mundo entende quem Deus é. E aí a economia da graça ia colonizando a terra, ia tomando conta da terra. Então observe, o Deus bíblico não é um Deus ocioso igual os deuses pagãos. É um Deus que tá trabalhando o tempo inteiro. Ele criou trabalhando, governando, dizendo e só parou a palavra Sabbat, que a gente conhece como sábado, né? O da tradução mais apropriado, não é descanso no sentido agora Deus tá na rede e tal, não. Descanso ali é cessou. O shabbato quer dizer cessou. Deus cessou sua atividade criativa. Para quê? Só por uma razão. Contemplar. contemplar e ver no mundo as marcas, a impressão do artista, como um artista que olha para uma obra de arte se distancia para se maravilhar, se maravilhar com harmônico, com aquilo que funciona. É assim que Deus se coloca diante do seu mundo. Que variedade, Senhor, nas tuas obras, não é? São variáveis. Por quê? Lembra de Jesus? O meu pai trabalha até agora e eu trabalho também. também. Ele não para de trabalhar. João 5:17. Ele não para de elaborar. Mas o trabalho de Deus é diferente dos deuses pagãos. Basta olhar pro mundo. Basta olhar pro mundo. É a formiga que corta a folha, leva a folha pro formigueiro. No formigueiro, aquilo vira uma colônia de fungo. Esse fungo alimenta a rainha. Olha que coisa impressionante. O mundo de Deus é cheio de trocas. É uma abelha polinizadora que vai na flor para tirar o néctar. Ela tra presta um serviço pr pra flor levando o pól para outras flores. O mundo de Deus é cheio de trocas, de permutas. É um grande tecido de graça, é uma grande malha, uma grande rede em que bens estão sendo trocados, alimentos estão sendo entregues, bens estão sendo partilhados, outros estão sendo consumidos. É uma árvore maravilhosa, frondosa, que absorve todo o CO2 que você se largou agora aí quando você respirou, OK? Ela absorveu o seu CO2. Sabe para quê? Te devolveu o O2 para você voltar a respirar. Que engenharia é essa, gente? Que sabedoria é essa que o salmista está contemplando? É uma economia de graça. Não tem escassez, é abundância, é bem, é entrega. Tá tudo sendo partilhado nessa grande rede, numa grande circulação de dádivas e dons que Deus coloca na vida do ser humano e na nossa realidade. Desse Luz no seu livro Quatro Amores, recomendo que você leia. Ele vai dizer o seguinte, que essa posição teológica, porque os teólogos cristãos, e isso é uma coisa comum, tanto no Islã quanto no judaísmo, quanto no cristianismo, as três religiões monoteístas vão dizer explicitamente que Deus, Yahé ou Alá, não importa, criou esse Deus criou o mundo, não foi por necessidade. Ele tinha outros planos, mas não foi por necessidade, não foi por carência, tá? E C Luz vai dizer que em Deus, abre aspas, não existe fome a ser satisfeita. Não tem, não existe apenas fartura que deseja doar. Você ouviu isso? Que que existe em Deus? Fartura que deseja doar. Se você quiser um com uma definição de Deus, é essa, um Deus que é farto e deseja doar. A doutrina de que Deus não tinha necessidade de criar não é uma peça de especulação acadêmica, diz Luiz, mas essencial. Sem ela, sem esse conceito de que Deus não criou o mundo por carência, sem ela, o que que você teria? Qual a imagem que você teria de Deus? Aí Luiz vai dizer, você teria a imagem de um Deus gerente de um hotel. Gerador de um hotel, controlando gastos, gerindo escassez. escassez. É, é assim que você se relacionaria com esse Deus e veria esse Deus. Mas aí Luiz diz que ser, porém, soberano do universo, que é o que Deus é, não é coisa difícil para Deus. Em si mesmo, na sua casa, na terra da trindade, no domínio da trindade, ele é soberano de um reino muito maior, muito maior do que a gente imagina. Por isso ele cria um jardim, porque a ideia do jardim era que esse jardim se espalhasse, guardar, cultivar e o ser humano operasse no mundo. Olha que coisa extraordinária, como um ser grato. Vou tentar, vou usar uma expressão aqui, vocês vão entender. O que estamos falando aqui, irmãos, é de uma vida eucarística. E aqui não tem nada a ver com o catolicismo romano, porque as pessoas escutam eucarístico, já pensa, já entendi. Vida eucarístico fica adorando a hóstia, né? Não tem nada a ver. a ver. Vida eucarística. A palavra eucaristia é uma palavra bíblica. Se você não sabe, ela aparece no Novo Testamento, em vários textos. E geralmente ela é traduzida como a expressão ações de graça. A palavra eucaristia em grego vem de rares, graça. Vem a palavra graça, tá lá, é uma ação de graça. O que que é uma ação de graça? São pessoas que, ao terem consciência do bem que receberam, começam a agir na vida a partir dessa lógica da graça recebida. é uma pessoa que está reagindo à graça de Deus. É uma vida que reproduz a graça de Deus. Então, quando você toma consciência do bem que você recebe, você começa a refletir o bem recebido no mundo. Deus chamou Adão e Eva para viverem uma vida eucarística, uma vida de ações de graças. Essa esse é o sentido de uma vida eucarística. É uma vida que reproduz o bem recebido. Contudo, a gente sabe que uma tensão foi introduzida na história que se chama pecado e queda. Foi aí que começou o nosso problema e foi aí que começou a nossa escassez, a nossa privação de bens. É uma lógica de economia escassa. E por que o pecado produziu isso? Porque o pecado colocou sobre o homem a possibilidade dele viver numa realidade independente da graça de Deus. a possibilidade de eu criar os meus paraísos artificiais, de eu ser o detentor do bem e eu monopolizar o recurso e a partir do do recurso monopolizado criar as minhas realidades. Essa é a oferta da serpente no jardim. É a oferta do pecado. E olha o que diz em Gênesis 3:17. Depois que o homem pecou, o que que o Senhor fala para ele? Ah, é, expulsou do jardim. Expulsou da onde? desse ambiente, da economia da graça e disse pro homem: "Maldita é a terra por sua causa, em fadiga você obterá dela o sustento durante os dias da sua vida. Você vai ralar para adquirir o seu bem. Ela produzirá também espinhos e ervas daninhas, e você comerá a erva do campo e no suor do seu rosto você comerá o seu pão. Agora, o homem opera no mundo como num deserto. Ele anda numa terra árida e ele fica tentando extrair no seu esforço, no seu empenho, essa realidade que ficou lá para trás. Porque o ser humano se encontra alienado do mundo de Deus. E e é curioso porque Jesus tá lá com os discípulos do Sermão do Monte. Eu preguei sobre isso aqui dizendo para eles olharem pros lírios do campo, lembra? Para eles olharem pros passarinhos que não não não semeiam, não plantam, não colham, não ajuntam em celeiros. E porque eles estão bem? Porque eles vivem no reino. E porque nós estamos ansiosos? Porque o pecado nos alienou de Deus. Nesse caso, passarinhos em entre aspas é mais crente do que a gente. E por que mais crente? Porque ele confia. Ele acorda de manhã, vai pra vida, ele fala: "Vou esperar meu alimento". O alimento vem. E nós, ansiosos, controlando a história, controlando o tempo. Por quê? Porque o nosso metabolismo funciona na lógica da escassez. E aí Jesus tá dizendo: "Não estejais ansiosos por nada". Homens de pequena fé. Não é assim que ele fala? Homens de pequena fé. O que que faz um homem de pequena fé? um homem que é incapaz de perceber que Deus é competente, que ele é abundante, que ele é pura bondade, que o amor dele é transbordante. E aí a gente começa a operar por essa ansiedade que ajunta em celeiros, que acumula em depósitos, que ajunta tesouro na terra, riquezas retidas, bens que não são distribuídos. E aí começa uma economia de gente lesando gente, de gente não protegendo gente. Ou você acha que foi acidente que logo depois da queda do homem, primeiro ato de violência na Bíblia foi um irmão matando outro irmão. Não foi acidente. Quando Caim mata Abel, o que que Deus faz com Caim? Pergunta para ele, cadê o seu irmão? O que que ele responde? Será que eu sou guardador do meu irmão? Quando o homem se vê largado no mundo, no seu projeto de autossuficiência, ele se lança num projeto de hiperindividualismo. A solução eu me proteger. Não tem que guardar ninguém, não. Tem cada um cuida da sua vida. Não tem que cuidar da vida de ninguém, não. Eu não. Eu vou salvar o meu primeiro. É o senso de autopreservação. Reter a graça para tentar sobreviver. Olha a lógica. Essa foi a primeira solução. Aí você fala: "Tá vendo? O capitalismo é do Satanás mesmo, individualismo. Acertei. É poucos capítulos depois, Torre de Babel, coletivismo. Vamos botar todo mundo junto aqui. Governo centralizado, um poder centrado numa autoridade lá. E aqui a gente acolhe os bens e distribui os bens. Economia planificada. Olha que legal. Aí Deus vai lá e julga também Babel. Aí você fala: "Ah, então onde que é a saída?" A saída é o reino de Deus. a sair da economia da graça, que segundo as parábolas de Jesus, inclusive a parábola dos talentos, Deus não distribui igualzinho, não. Deus dá para alguns menos, dá para outros mais. Mas o que que Deus dá igualmente? Ele dá a graça dele igualmente e distribui a cada um conforme a sua própria capacidade. O problema da injustiça é quando a graça não chega. E por que que a graça não chega? Porque alguém reteu a graça. Pense nisso. Escute essa frase. Graça retida desgraça do outro. Graça, retira da desgraça do outro. Claro, se eu retenho bem, alguém tá ficando pobre por causa disso. E não tô falando só de dinheiro, não, pode ter certeza. Não tô falando só de dinheiro também, mas não é só. Se você tem um dom musical, um dom de poesia, eu sou péssimo em música, mas sou um bom apreciador de música, gosto de apreciar música. Se você não põe a sua música no mundo, a minha vida tá mais pobre. Ela tá menos bela. Concorda? Se você tem uma solução tecnológica que pode tornar a minha vida melhor e você não põe ela em execução, a minha vida tá mais pobre e vice-versa. Então não é uma questão assim, as pessoas achar, a Tem gente que assim, acha que é humildade, tem gente que acha que é humildade você reter uma um talento, esconder uma habilidade. Tem gente acha isso humildade. Não é humildade. Se chama avareza. É avareza, porque a gente acha que a avareza é só pondur com dinheiro, não é? Tem gente que tem uma avareza carismática, ok? Ele retém o dom, achando que o dom tem a ver com ele. Não tem. O dom tem a ver com a glória de Deus. Deus. E aí quando você deposita o dom no mundo, na vida, a serviço dos outros, se ocupa de um bem que é maior do que você, quem é glorificado? Deus é glorificado. Então, a lógica é de um cristão que é sempre um canal da graça. Ele não retém a graça. E por que Deus manda mais graça? Porque ele sabe que vai passar em boas mãos. Ele sabe que vai passar na mão de um bom mordomo e o mordomo distribui o bem. E a economia da graça continua. E Deus vai mantendo que o reino dele se manifestando. O problema é que o pecado bagunçou. Bagunçou. Olha o profeta Amós. A lógica perversa de quem opera pela escassez. Amós 8 verso 4. Vou ler para você. Olha a linguagem do profeta. Ouçam isto vocês que pisam os pobres e arruínam os necessitados da terra, dizendo: "Quando que vai passar o feriado pra gente vender os cereais?" O profeta está aqui ironizando a cobiça. A cobiça. Eram israelitas que ficavam esperando o feriado passar logo para poder vender ou ganhar o dinheirinho. E o sábado, quando que ele vai acabar pra gente abrir os celeiros de trigo, diminuir a medida, aumentando o preço, enganando com balança desonesta para comprarmos os pobres por dinheiro e os necessitados por um par de sandália. Profeta Amos não foi o Lula. OK. Profeta Amos Amos falando de quê? Falando que existe uma dinâmica de exploração. É óbvio que existe. E ela é indiscriminada, é ambidestra, tá? Ela é ambidestra. A exploração é ambidestra. E por que ela acontece? Porque o ser humano é cativo da economia da escassez. O pecado te alienou de Deus. O pecado te distanciou de quem Deus é te tornou incapaz. incapazes de olhar pro mundo como governado por um Deus que é abundante em tudo que faz. CS luz vai dizer que o ser humano ele opera no mundo por dois tipos de amor. O amor necessidade ou amor doação. Você ouviu isso? Amor necessidade ou amor doação. O que que é o amor necessidade? É uma relação de amor que você exige o tempo inteiro. Você tem demandas o tempo inteiro. Você tá pedindo o tempo inteiro. Nas relações humanas isso é muito comum, porque tem uma economia nas relações humanas. Fique, fica atento. Como que é a economia das suas relações, do seu casamento? É uma economia de demanda, de exigência, de carência? Você é um pedinte, né? O CS Luiz dizia que esse é o tipo de homem que ele chamava de a o indigente insondável. O que que é um indigente insondável? É um pedinte. fica esmolando, esmolando graça em quem não tem condições de digitar graça nenhuma. E aí você entra na relação com tanque vazio e o outro também tá com tanque vazio. Você tenta sugar dele todo recurso possível para matar sua carência, mas o outro tá tão faminto quanto você. E o Luiz vai dizer que nesse caso que deveriam estar um servindo o outro, porque os dois estão conectados com a fonte, começam a devorar um ao outro. Ele chama dos dois atormentadores mútuos. mútuos. Uma boa descrição. Ele fala: "Se tornam dois demônios". É a linguagem do luz. Cada um repleto do veneno do ódio no amor. Cada um voraz com fome para devorar implacavelmente o outro, sempre se recusando a dar. Tem uma conversinha que às vezes rola por aí do tipo assim: "Ah, eu não vou ficar dando não, vai chegar uma hora, outra ficar explorando, me parasitando. Pera aí, meu irmão, conversa é o seguinte, você não tem, você não há nada que você dê para alguém que seja bom, que não venha de um Deus bom. E o Deus bom é inesgotável. Inesgotável. A não ser que você esteja se relacionando com alguém pela lógica das cisternas rotas e não do manancial da vida, é que você vai economizar. E sabe o que acontece quando você entrega a abundância que você recebe pro outro? Sabe o que acontece? O outro é derrotado. Não por causa de você, é derrotado pelo amor. Ele encontra no ato de generosidade o Deus que ele não conhecia. conhecia. E em geral, Deus acende no outro a disposição de fazer o mesmo. Com a ironia, o outro começa a te servir nas suas necessidades, porque você começou a servi-lo nas suas necessidades. A diferença é que agora vocês partilham o bem recebido. Vocês não são fonte própria. Lembra de Jesus? Quem crê em mim, como diz as escrituras, do seu interior, >> entendeu? Fluirão rios de águas vivas. Então tem que ter plantado junto a ribeiros, tem que estar no lugar certo, tem que estar na fonte certa. Uma vez eu aconselhando um casal aqui na igreja, o irmão falou assim: "Pastor, eu entendi o que eu tenho que fazer com a minha esposa. O que que você entendeu, irmão?" "Entendi que eu tenho que ser uma mangueira e não uma torneira. Achei maravilhoso. Metáfora maravilhosa." "Explica mais". Ele falou assim: "Olha, eu achava que eu era uma torneira, que eu tinha tudo para ela, eu tinha que dar tudo para ela, tinha que fazer tudo por ela e eu sabia que eu não tinha como fazer, suprir todas as demandas dela. Mas para eu permanecer casado, eu descobri quem podia fazer isso, Deus. Então, quando eu descobri que eu era uma mangueira e não uma torneira, eu descobri que eu tinha que colocar a mangueira na torneira, entendeu? É isso que ele tinha que fazer, colocar a mangueira na toleira. Ele tinha que estar conectado com a fonte para distribuir o bem em casa. Não reter, não se achar o dono do bem, mas se achar o canal do bem, o portador do bem, aquele que transmite o bem, que entra na economia da graça. Percebeu de forma muito didática, né, o que o ser humano é. Se essa luz vai dizer: "Em Deus não existe fome a ser satisfeita. Apenas fartura que deseja doar. Fartura que deseja doar. Que coisa maravilhosa. E Deus radicalizou, né, gente? Caminhando pro fim. Deus radicalizou. Como que ele radicalizou? Depois de ter feito tudo isso maravilhosamente bem. Um mundo abundante, coisas maravilhosas, bens maravilhosos, formas maravilhosas. Você acha, nó Deus exagerou na beleza dele no mundo. Aí Deus fala assim: "Vou exagerar ainda mais. O que que ele faz?" o filho dele. Deus amou o mundo de tal maneira que deu. que deu. Qual é o fundamento do amor? A dádiva. Amor não é um trem, deu para entender? Não é um sentimento subjetivo, não. Amor é a dádiva. O dia que Deus decidiu mamar o mundo de forma explícita, ele fez como? Dando. Ele deu o seu filho amado, o filho amado em que ele tinha prazer. E ele deu o filho amado dele para quê? Para trazer gente para perto do reino dele. Lembra? Deus tá trabalhando para expandir o domínio de graça dele. E ele fez isso com criaturas que se rebelaram contra esse reino. E como ele fez para trazê-las de volta para casa? Ele envia o filho dele o pão vivo que desceu do céu. Não é assim? João 6:51, Jesus falando: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu e eu vim". Por que que ele veio? Eu vim para que tenham a vida e vida em >> É uma outra economia, meus irmãos. É outra economia onde abundou o pecado. >> É, é tudo assim. É tudo assim. Jesus chega pros discípulos, Lucas 6:38 e fala para eles: "Dem e lhe será dado. Boa medida, prensada, sacudida e transbordante será dada a vocês." Efésios 4:8. Quando ele subiu às alturas, levou o cativo ao cativeiro, concedeu dons aos homens. Ele concedeu dons, espalhou as dádivas dele aos homens. Para quê? para encher todas as coisas, para tornar tudo pleno. É por isso que onde Jesus passava, a abundância passava com ele. Um homem que não tinha onde reclinar a cabeça, era riquíssimo, abundante, transformava água em vinho, multiplicou pães, deu vista aos cegos, fez paralítico andar, curou a mulher do fluxo de sangue. Suas parábolas, todas as parábolas de Jesus, quase todas, quase todas são parábolas econômicas, quase todas. Parábola do semeador, do grão de mustarda, do fermento, do tesouro escondido, da pérola de grande valor, dos trabalhadores na vinha, dos talentos, do bom samaritano, do grande banquete, do filho pródigo, do insensato, do administrador infiel. Todas essas parábolas tm a ver com economia. Você acha que é acidente? Não é. É porque como ele funciona? Deus funciona assim e ele tá salvando homens e mulheres de uma outra lógica que não é compatível com o reino dele. O reino dele opera num ritmo diferente. Eu quero concluir essa mensagem com o texto de Paulo que nós vamos pregar nessa série ela toda. Segunda Coríntios, capítulo 8 verso 7 a 9. O apóstolo Paulo aqui se dirige aos irmãos de Corinto, citando os irmãos da Macedônia como exemplo de generosidade. Prestem bem atenção na linguagem de Paulo e veja se Paulo não está falando a partir de uma lógica econômica que é completamente sobreumana, supraumana, é para além das lógicas econômicas terrenas. Olha o que ele vai dizer. Segunda Coríntios 8 de 7 a 9. Mas como em tudo é Paulo se dirigindo uma igreja, como em tudo vocês manifestaram abundância. Ó, em tudo vocês manifestaram abundância. Na fé, oig onde que a gente manifesta abundância? na fé, na palavra, no saber, em toda dedicação e em nosso amor por vocês. Esperamos que também nesta graça vocês manifestem a abundância. Qual graça? A graça agora Paulo tá pedindo coleta dos irmãos de Corinto pros irmãos pobres da Judeia. Não digo isso na forma de mandamento. Por que Paulo não fala isso em forma de mandamento? Porque Paulo não quer legalismo financeiro na igreja. igreja. Paulo quer que a igreja tenha boas razões, melhores razões para ser generosa. Muita gente que vem de outras igrejas aí paraa esperança acaba vindo de um contexto de abuso teológico na área do dinheiro. Por quê? Porque dava sob medo a tirania do devorador, a bênção que não ia vir, porque a relação com Deus era igual com os deuses pagão do Egito, igualzinho. Vou dar meu sacrifício para receber o meu benefício. Aí descobre que na igreja de esperança a gente não fica enchendo o saco das pessoas. falando, se você não der, o diabo vai te pegar. Descobre aí. Isso acontece, viram avarentas. Muito comum, muito comum. E sabe por que se tornam avarentas? Porque nunca foram generosas, nunca foram. E precisam descobrir, redescobrir as razões para serem generosas. E redescobrir as razões é redescobrir até a maneira como você foi salvo. Porque você não foi salvo pelo que você fazia, mas pelo que Cristo fez. Então, porque eu sou generoso? Porque eu quero viver uma vida eucarística. Eu quero reagir o bem recebido, a graça recebida. De onde nasce a generosidade de um cristão? Não é do mandamento. Olha o que Paulo tá falando aqui. Não digo isso na forma de mandamento, mas para provar se o amor de vocês é sincero comparando com a dedicação de outros. Pois vocês, olha só que a chave de Paulo, pois vocês conhecem a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio da pobreza dele, vocês se tornassem ricos. Amém. >> Vamos orar. peça graça a Deus e peça a Deus a graça de ser um homem e uma mulher eucarística que reage à graça de Deus atuando no mundo dele, sabendo quem ele é. Não como alguém que opera no mundo por medo, por escassez, por restrição, mas que opera porque recebeu um bem gigantesco que transcende dinheiro, transcende patrimônio. É uma graça mais complexa, mais sofisticada, mais abundante, mais diversa. diversa. Mas se você quer desfrutar dessa dessa dessa realidade, meu irmão, o evangelho tá aí te chamando para você operar pela lógica do carisma, da dádiva, do dom, da abundância do Deus que é amoroso em tudo que faz. Senhor Deus, meus irmãos, desperta em sua imaginação, em seu coração, em seus corações, a consciência de que o Senhor é abundante em tudo que faz. O Senhor é puro amor, puro transbordamento de graça. O Senhor estendeu os domínios do teu jardim de amor pelo mundo. Nós é que nos alienamos dele, nós é que nos afastamos dele. Mas nós te damos graças porque Jesus veio ao mundo anunciando o reino de Deus. E o reino de Deus é um reino de vida e vida em abundância. É uma igreja em um povo que reproduz a dádiva recebida. em atos de hospitalidade, de compaixão, de amor aos vulneráveis, de amor aos perdidos, na proclamação do evangelho, na doação, na partilha dos bens, nos negócios que vão para muito além de autobício, reconhecimento ao sucesso. Nós queremos ser, ó Pai, mordomos da multiforme graça de Deus, economos das dádivas que o Senhor deposita no teu povo e na tua igreja. Obrigado, porque Jesus quando veio ao mundo, não veio apenas para nos salvar, mas também veio para requerer os dons que o Pai colocou em nós, que estão aí para a glória dele e para o bem do próximo. Que o Senhor desperte na igreja essa consciência, Pai, de que nós não podemos funcionar por escassez, mas por uma lógica da abundância que nasce da própria natureza de Deus. É assim que nós oramos em nome de Jesus. Amém.