Filipenses 4 de 10 a 20. Depois, eh, mais para frente, eu vou ler Filipenses 2, que é o centro de gravidade dessa carta, que nos ajuda a entender também o significado de Filipenses 4. Então, Filipenses 4 a partir do 10. Vou ler na Nova Almeida. Fiquei muito alegre no Senhor porque agora, mais uma vez renasceu o cuidado que vocês têm por mim. Na verdade, vocês já tinham esse cuidado antes, só que lhe faltava oportunidade. Digo isso não porque esteja necessitado, porque eu aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Sei o que é passar necessidade e sei também o que é ter em abundância. Eu aprendi o segredo, o segredo de toda e qualquer circunstância, de estar alimentado como de ter fome, ter em abundância como de passar necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece. No entanto, vocês fizeram bem, associando-se comigo nas aflições. E como vocês filipenses sabem muito bem, no início da pregação do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo nessa questão de dar e receber, é exceto vocês somente. Porque até quando eu estava em Tessalônica, por mais de uma vez vocês mandaram bastante pelas minhas necessidades. Não que eu esteja pedindo ajuda, pois o que eu realmente me interessa é o fruto que aumente o crédito na conta de vocês. Recebi tudo e tenho até de sobra. Estou suprido desde que Pafrodito me entregou o que vocês me mandaram, que é uma oferta de aroma agradável, um sacrifício que Deus aceita e lhe agrada. E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir em Cristo Jesus tudo aquilo que vocês precisam. A nosso Deus e Pai seja a glória para todo sempre. Amém. Vamos orar. Senhor, sacia-nos de manhã com a tua bondade para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. A tua lei, Senhor, é mais valiosa para nós que milhares de peças de ouro e de prata. Sacia-nos com a tua palavra, Senhor. Me esconde atrás da tua cruz para que a gente possa ver, Jesus caminho, verdade e vida. E que o teu espírito avive a tua palavra em nossos corações e clamamos: Vem, Espírito Santo. Amém. Vamos lá. Era 27 de junho de 2018, na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo na Rússia. Era o terceiro jogo, o jogo final da fase de grupos e o México tinha começado a Copa muito bem. Eles tinham vencido a Alemanha, tá em então campeã mundial, nem falo para vocês aonde que ela ganhou. E também tinha derrotado a Coreia. O México já tinha seis pontos e quase classificados, mas existia uma combinação muito perigosa. Se eles perdessem para Suécia e a Alemanha vencesse a Coreia, os mexicanos seriam eliminados. Arriba para caça. Por isso, esse jogo da fase de grupos começa ao mesmo tempo. México contra Suécia e Alemanha contra a Coreia. Coreia. E no segundo tempo, o mundo dos mexicanos já desmorona. 1 a 0 Suécia, 2 a 0 Suécia, 3 a 0 com gol contra. Aí um fala pro outro lá no estádio, um mexicano diz: "Hermano, acabou, estamos fora". Aí o outro do lado dele fala: "Pera aí, tem outro jogo acontecendo ainda. Outro jogo, cara, nós estamos perdendo de três. A Coreia nunca vai ganhar da Alemanha. Você não se lembra o que eles fizeram com o Brasil na Copa passada? Não quero nem falar aqueles gol da Alemanha, gol da Alemanha, gol da Alemanha. Enquanto isso, na cidade de Cã, o gol da Alemanha não vinha. Mas de repente no rádio alguns mexicanos ouvem: "É gol!" Ah, não, que terrível. É da Alemanha, não é da Coreia? E alguns mexicanos começam a gritar, mas os outros que não estão sabendo de nada começam a pensar: "Eles são loucos". Então tem uma diferença dentro da própria torcida entre o desesperos de um, de uns vendo 3 a 0 e a alegria de outros vendo uma notícia que vinha de outro lugar. Todos enfrentavam a mesma derrota, mas nem todos ouviam a mesma história. No final, a Alemanha eliminada, México classificado pela vitória da Coreia. E os mexicanos então cantaram levantando o embaixador coreano, colocando eles no braço e dizendo: "Coreano, hermano, eres meicano, sabes?" Muito bem. Ótimo. Vamos deixar o estádio um pouquinho agora agora e vamos entrar numa prisão no império romano há uns 2000 anos atrás. Porque ali também encontramos um outro homem cuja alegria parece não combinar com o cenário. cenário. O apóstolo Paulo não tá cercado por torcedores, mas por correntes e contemplando a própria possibilidade na morte enquanto encarcerado nessa prisão. E de repente alguém bate a porta e Paulo diz: "Eu não acredito. Você éodito. Que que você tá fazendo aqui? Paulo: "Eu vim de Filipos para entregar essa oferta que a nossa igreja juntou para você. Foram tantas dificuldades no caminho. E Paulo, muito feliz porque além de ter recebido oferta e visto epafeudito, eles ainda não tinham inventado Pix, né? Então o Epafodito tinha que ir lá visitá-lo e uma visita de um amigo assim alegra muito a alma de alguém. E o apóstolo fala para ele, olha aí, parafrodito, cara, isso é bom demais, mas eu quero te dizer que eu já aprendi a viver contente com muito ou com pouco. Eu tô feliz pela oferta, mas eu tô muito alegre sem ela também. E nessa carta a gente tem a maior incidência do imperativo alegrai-vos em todo o Novo Testamento. A palavra alegria aparece muitas vezes. Isso sempre me intrigou. Como é que Paulo consegue estar preso, sofrendo e muito alegre? Não encaixa na minha cabeça. Será que as muitas letras o fizeram delirar? ou é loucura ou é um segredo que a gente precisa descobrir. E se for um segredo para nós hoje no século XX é ainda mais importante que a gente descubra. Sabe por quê? Ao contrário de Paulo que diz: "Eu aprendi viver contente, feliz, alegre em qualquer circunstância". Nós vivemos em um mundo que nos treina para a insatisfação. Quando parece que a gente não tá avançando, quando a gente vê a vida dos outros e a família perfeita dos outros no Instagram, quando alguma coisa nos falta, quando mundo digital nos treina para querermos o que nós não temos. Aprendi o segredo de estar contente em qualquer situação. Então, meu tema hoje é esse. É a arte secreta de viver contente. Qual é essa história capaz de nos ensinar o contentamento quando a gente tá com muito ou com pouco, tá com fome? ou tá com abundância. E pra gente compreender o segredo de Paulo, então a gente precisa contemplar de quem ele aprendeu. E ele aprendeu de alguém. E esse alguém é o próprio Cristo, porque ele se fez pobre por amor. E nele, é só nele que a gente aprende essa arte secreta de viver contente. Então vamos voltar para Filipenses 2, que é o centro de gravidade da carta. E esse vai ser o nosso caminho aqui. Filipenses 2 a partir do 5 ao 8. Então, nosso primeiro passo é contemplar a encarnação de Cristo que entra na nossa pobreza. Segundo, a gente vai ver como Paulo aprende o segredo do contentamento. E por último, nós vamos ver nessa mesma história o jeito como ela se encarna, ganha corpo na igreja de Filipos que entram na aflição de Paulo. Então, três passos. Cristo entra na pobreza, Paulo participa dos sofrimentos e os filipenses entram na aflição de Paulo. E nisso tudo, a história de Jesus começa a ganhar corpo em gente comum. Filipenses 2, versículo 5 a 8. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus, que mesmo existindo na forma de Deus, não considerou ser igual a Deus algo que deveria ser retido a qualquer custo. Pelo contrário, ele se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos seres humanos e reconhecida em figura humana. Ele se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. O cinco começa. Tenham a mesma atitude que Cristo Jesus. Pensem isso dentro de vocês. Paulo tá chamando a igreja a ter um mesmo movimento interior de conformação a Jesus. a Jesus. E que movimento é esse? Ele vai explicar nos versículos 6, 7 e 8. Versículo 6 começa: Ele subsistindo em forma de Deus. Não julgou usurpação ser igual a Deus. Forma de Deus não é só uma aparência, uma aparência exterior, não é só uma fantasia, é a própria natureza dele, a essência de ser divino. Então, Paulo não começa com a pobreza de alguém que veio lá em Belém. Paulo começa com a sua riqueza eterna na sua glória. Porque a humilhação só pode ser compreendida quando perce percebemos de onde ele desceu. Paulo continua, ele não julgou como usurpação ser igual a Deus. E o termo aqui no grego tem a ver com agarrar, reter, tomar um tesouro cobiçoso. Jesus não julgou essa usurpação de querer agarrar e reter essa forma de Deus. E aqui, gente, a gente já vê uma oposição entre Adão e Jesus. Porque o movimento humano desde Adão é que essa raça caída quer o que não pertence a ele. Quer agarrar, quer reter. Ao invés de pertencer ao jardim, quer ser o dono do campo. Desde Gênesis 3, onde Adão e Eva falharam na mentira, a sedução da serpente continua rondando a nossa raça. Só que se o movimento de Adão e Eva foi de agarrar, o movimento de Cristo é de não se apegar. Se Eva ouviu do da serpente, seja como Deus, Jesus sendo Deus não faz da sua igualdade com Deus um troféu ganancioso. Nele que se fez pobre por amor, a graça venceu a cobiça. Aqui nós temos o segundo Adão. Aqui nós temos uma nova humanidade sendo instaurada. E ele continua: "Antes a si mesmo se esvaziou assumindo forma de servo." Gente, forma de servo faz o par com forma de Deus aqui. Forma de servo e forma de Deus em par. O texto não deixou de dizer quem ele era, mas o texto diz que Jesus assumiu o que ele não era. Ele assumiu a forma de servo, de homem, de vulnerável, de pobre. E por isso essa mensagem é tão escandalosa. Ono que entra no tempo, o criador que assumiu condição de criatura, o maior que aceita a pequeneza entrar no ventre de uma mulher, a riqueza de Deus que aparece escondida na sua pobreza. E aqui Atanásio de Alexandria, olhando lá por Mar Mediterrâneo, diz o seguinte: "Quem tenta enumerar as consequências da encarnação do Verbo de Deus, Deus assumindo forma humana, é como contemplar o mar aberto e tentar contar as suas ondas. Você consegue contar quantas ondas existem no Mar aberto? As consequências são incontáveis. Então, Filipenses 2 não tá entregando pra gente só uma formulação doutrinária. Ele tá abrindo diante de nós o oceano inteiro. Quem vai poder medir as ondas dessa descida? Nós temos muita dificuldade de assimilar isso, porque a gente começa a pensar que a transcendência de Deus não pode misturar conosco. Me lembro de ter conversado com um taxista muçulmano que me disse assim: "O seu Deus fede, o seu Deus tem cc e faz cocô". Isso é muita humilhação pro divino. Eu disse para ele é exatamente isso. A nossa razão não dá conta de imaginar um Deus capaz de tal esvaziamento de glória. Deus assumindo carne, o santo entrando na história, o filho eterno entrando numa limitação, tudo num fragmento. E o texto ainda vai continuar dizendo que ele se torna em semelhança de homens e reconhecida em figura humana. Assim mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. E Paulo aqui ainda desce mais. Não basta dizer que ele assumiu forma humana. Paulo quer mostrar até onde vai essa identificação dele com essa humanidade. Ele obedeceu até a morte e não qualquer morte. É a morte de cruz. E aqui a sua humilhação chega ao clímax. É a morte reservada aos escravos, aos malfeitores. É a morte da vergonha, morte sobre maldição. A memória dos crucificados era abolida. A cruz é humilhação pública, nu, mostrando a vergonha. E é por isso que Paulo pode dizer em segunda Coríntios 8:9 que vocês conhecem a graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Vocês conhecem a doação de Jesus Cristo, que sendo rico, se fez pobre por amor a vocês, para que por meio da pobreza dele, por meio da humilhação dele, vocês se tornassem ricos. A graça é a própria entrega de Cristo. E nesse movimento ele confronta toda uma economia do pecado, de gente que maltrata a gente, que oprime, que explora, que fala assim: "Agarre, acumule, proteja o que é seu, você nunca vai ter o suficiente." Onde Adão procura subir, tomar, Cristo desce, Cristo entrega. onde a cobiça fecha as mãos, a graça abre, abre nas na cruz com os braços completamente abertos num movimento total de autodo doação. Ai, porque Cristo sendo rico se fez pobre e se a gente tiver nele, a gente vai aprender essa arte secreta de viver contentes. E como vai aprender? Mas agora a gente vem com uma outra pergunta. Esse caminho termina em derrota. Será que a verdade humilde vai ser esmagada pelo poder da tirania e a cruz é o fim dessa história? Paulo responde com glorioso não. Nos versículos 9 a 11, o movimento muda. Aquele que desceu é exaltado pelo pai. Deus ressuscita o filho. Crucificado que desce em pobreza é também o príncipe majestoso que o pai exalta. Por isso, Deus também o exaltou sobem maneira e lhe deu nome que está acima de todo nome. A único que é digno de receber a honra, a glória, o rei eterno, imortal, invisível, mais real. Vamos exaltar ele porque eu preciso entrar no movimento do exaltado. Esse é o verdadeiro poder. Essa é a verdadeira riqueza. Esse servo crucificado é o Senhor. Você pode ficar de pé. Ele exaltado, o rei exaltado no céu. Eu louvarei ele exaltado, para sempre exaltado o seu nome. nome. Louvarei. Ele é o Senhor. Sua verdade vai sempre reinar. Terra e céu glorificam seu santo nome. Ele exaltado, o rei exaltado no céu. Eu louvarei. Ele exaltado para sempre exaltado o seu nome. Louvarei. Ele é o Senhor. A verdade vai ser eterna. Terra e e glorificam o seu santo nome. Ele exaltado, o rei exaltado no céu para sempre. Ele exaltado, o rei exaltado no céu. >> Amém. Pode se assentar. O pai exalta o filho. Não foi o filho que se ressuscitou. O pai o exaltou sobre maneira e exalta a lógica da autodoação, da economia carismática de Deus, da dádiva, da graça recebida e da graça repartida, do amor que desce para enriquecer o outro. Nele que se fez pobre por amor, a graça venceu a cobiça. E esse Deus que desde a eternidade é rico, abundante e se manifesta em amor doador desde a criação, ele subverte essa economia que nos traz dor cobiçosa, autocentrada por meio da obra de Jesus Cristo, que não explora a igualdade de com Deus em benefício próprio, mas assume a nossa pobreza, assume forma de servo, entrega-se por nós até a morte de Cristo. E quando o Pai o exalta e o ressuscita, ele reivindica o caminho da autodoação. E unidos ao filho, justificados nele, um novo povo, uma nova humanidade é formada. Esse povo, ele encarna a economia da graça com outros valores. Contentamento, participação no sofrimento do outro, sem ansiedade, generosidade. Ah, essa nova realidade aberta por nós, para nós, por Cristo. Cristo. Cristo entrou na nossa pobreza. Agora a gente já pode voltar pra cela de Paulo. Paulo. Vamos voltar pra prisão e compreender melhor a sua alegria. Porque quando a gente canta assim, nesse movimento, o coração da gente se move. Como é que essa história de Cristo reorganizou aquilo que Paulo chamava de ganho, perda, fartura, necessidade? Como é que alguém vai atravessar fartura e fome feliz? Qual que é o segredo dele? Seria ficar repetindo assim: ovo é tão bom quanto filé minhon. Ovo é melhor que filé minhon. Para os históicos, históicos, a suficiência vem de dentro desse treinamento mental de um alto coach. Mas para Paulo não é isso. Vem de fora, vem de uma relação, vem em Cristo, em estar nele, de se conformar essa história. Lembrem que Jesus veio a Paulo como uma luz que o cega em uma viagem. Enquanto Paulo estava cego, Jesus troca todas as etiquetas da sua loja de joias. Se Paulo achava que um diamante valia 1 milhão, Jesus diz: "Ih, fichinha, vale R$ 1". Essa pérola aí que você achava que valia muito você ser o prodígio dos fariseus, vale nada agora, não. Vale R$ 2 agora. Esse rubi aí que você dizia que não valia nada, hum, agora vale a 1 milhão. Que que vale mais para Paulo agora? Ter a forma de Jesus se conformar nele com valores reordenados por essa união. E aí em Filipenses 3, Paulo apresenta os paralelos dele com a história de Jesus. Paulo disse: "O que para mim era lucro, considerei perda por causa de Cristo. Jesus se esvaziou a si mesmo e eu também me esvaziei. Cristo sofreu e foi ressuscitado. Eu também sofro na esperança de conhecer o poder da ressurreição." Paulo vai moldando a história e a identidade dele como essa expressão de se conformar a Cristo. Então o segredo aqui, gente, é estar tão agarrado a Cristo e se achado nele, tão unido a ele, que quando Paulo volta os olhos para Jesus, sabe o que que acontece? Todas as coisas ficam estranhamente embaçadas diante da graça. Conhecimento supremo é o de Cristo acima de tudo. O resto escábala, lixo, esterco. E o relacionamento com Jesus faz tanto abundância quanto a escassez serem menos importantes. Paulo aceita a falta como parte do discipulado a Jesus, mas ele também diz: "Eu aguento tudo, não que me fortalece, eu tenho uma fortaleza". Né? Que nem meu filho me perguntou um tempo atrás, papai, qual que foi o time que o Cruzeiro jogou outro dia? Tem a ver com músculo? Falei: "Músculo? Ah, filho, foi o fortaleza, né? né? Então eu tudo posso nessa fortaleza, né? Eh, que a gente deixe essas esses desencantamentos do mundo, às vezes em que a gente fica cego e desorientado, reordenarem os nossos valores. Porque ainda que a figueira não floresça, ainda que não haja gado no curral, eu me alegrarei no Deus da minha salvação. Alguns sonhos morrem, eu me realoco, realoco, mas eu sei que o meu redentor vive, então eu fico tranquilo. Paulo disse para Timóteo, seu mentoreado, em outra carta, Timóteo, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois a gente não trouxe nada para esse mundo e dele nada podemos levar. Repete aqui comigo. Isso aqui é lindo. Pois nada trouxemos para esse mundo. mundo. >> Pois nada trouxemos para esse mundo >> e dele nada podemos levar. >> Por isso, diz Paulo, tendo o que comer e o que vestir, estejamos com isso satisfeitos. Gente, para Paulo é comida e roupa é suficiente. Eu falo, eu quero ir no jogo do meu time. Será que Paulo não dá para, né, um pouquinho mais? Mas aí sabe o que que Paulo responde para mim? Ele responde lá no capítulo 2 de Timóteo, de Filipenses, falando sobre Timóteo. Ele diz o seguinte: "Todos os outros buscavam seus próprios interesses, mas só Timóteo buscava os interesses de Cristo." Paulo tinha muitos mentoriados, muita gente que andava com ele, mas só um tinha entendido. Todos querem Jesus e o bom hotel, Jesus e o jogo do Cruzeiro. Quase que como se tivessem na mesma. Timóteo tem um coração em uma coisa só. Timóteo quer os o interesses de Cristo. Ai, eu espero que você sinta essa pontada como eu tô sentindo agora. Será que eu busco só os interesses de Cristo? Paulo aprendeu em Cristo uma nova maneira de avaliar a vida. Aquilo que era lucro perde o seu brilho. Conhecer a Cristo é a maior riqueza. Unido a ele uma nova maneira de viver. E quando Paulo compreende isso, ele escreve uma carta em que tudo é voltado para que os filipenses tenham a mente de Cristo. É como uma história que se repete. Paulo se conforma a Jesus. Os Filipenses se conformam aos sofrimentos de Paulo e essa cadeia de conformidade a Jesus continua. Por isso a gente precisa voltar a Filipenses 4 do 14 ao 20. E vamos ver como é que essa pobreza amorosa de Jesus começa a ganhar corpo numa comunidade que dá, recebe e participa. Paulo primeiro diz lá no 10, no 14, no 18, três vezes que ele tem uma gratidão genuína pelo presente. Mesmo tendo aprendido o contentamento, ele diz assim: assim: "Vocês são demais. Vocês já me deram mais de uma vez quando eu tava em Tessalônica e vocês se associaram comigo nas aflições. Vocês são parceiros de comunhão, de sofrimentos. Isso para mim vale muito. E ele fala também de uma relação de dar e receber no versículo 15, que tem a ver com mutualidade, reciprocidade. Paulo se alega com o dar e receber deles, mas ele é cauteloso porque ele não quer uma relação utilitária. E aqui, gente, tem uma tensão porque ele fala em dar e receber. Mas que que Paulo tem para dar em troca? Ele tá na prisão. Ele não tem nada. Ele não tem nada para dar em troca. E na cultura greco-romana, a amizade incluía essa reciprocidade. Amigos davam, recebiam benefícios. É por isso que Paulo usa em 4:15 essa expressão quase contábil, uma conta de dar e receber. Os filipenses deram, agora Paulo estaria socialmente obrigado a retribuir. É que nem aquela pessoa que te dá uma comida na vasilha dela e você sente que você não pode devolver a vasilha vazia, né? E aí acho que ainda a gente tem outra pergunta. Os filipenses participaram da aflição de Paulo, mas se eles só dão e não recebem, quem vai cuidar dos Filipenses? E aí a gente começa a se perguntar: "E se faltar para nós, quem vai cuidar das nossas necessidades?" Paulo então faz um movimento decisivo. Ele mostra que o verdadeiro destinatário da oferta não foi ele, não foi só ele. Que que ele diz aqui? Lê comigo no quatro 18. Recebi tudo e tem abundância. Estou suprido desde que Afrodito me passou às mãos o que me veio da vossa parte como aroma suave, sacrifício aíável e aparasível. A quem? A mim? Não, a Deus, né? Que que ele tá dizendo? A oferta, chegou à cela do apóstolo, mas subiu ao altar de Deus. É por isso que Paulo continua no 19. O meu Deus irá suprir todas as suas necessidades de acordo com as suas riquezas em glória. O meu Deus aqui é importante. É como se Paulo dissesse: "Eu não tenho nada para retribuir para vocês, mas o Deus a quem pertenço agirá em meu favor por vocês." E é muito mais que um Deus que pague, né, gente? Deus lhe pague, que às vezes as pessoas falam. É uma convicção profunda de que a generosidade dos filipenses vai ser muito mais ultrapassada pelas riquezas do Deus eterno. Eles supriram uma necessidade de Paulo. Deus vai suprir todas as necessidades dele, segundo as medidas das suas riquezas em glória em Cristo. E vamos cuidar para não transformar isso em barganha. Como se vocês deram dinheiro a Deus e ele devolver, ele vai ter que devolver um dinheiro para vocês. As necessidades aqui nessa carta são muito mais do que dinheiro. São a perseverança no sofrimento, unidade, humildade, alegria e libertação da ansiedade. Essas são as verdadeiras riquezas que o Pai vai distribuindo ao seu povo. seu povo. Então aqui tá a função do versículo 20 que termina esse bloco. A nosso Deus e Pai seja a glória para todo sempre. Amém. A conta não termina com os filipenses recebendo de volta, termina com Deus recebendo a glória. É aqui que termina o povo de Deus. Além disso, no versículo 19, o termo é: "Meu Deus suprirá vocês." Agora, no 20, o nosso Deus e Pai. Paulo começa falando do meu Deus agirá por mim em favor de vocês, mas ele termina reunindo todos na mesma família e nosso Deus e Pai. Eles não são mais separados entre os que tm e os que não têm. Os credores e os devedores todos são filhos. Porque o pai das luzes tem presentes perfeitos e todos são recebedores da graça. Todos são convidados a unirem-se na adoração. Gente, Paulo não nasceu contente. Ele diz: "Eu aprendi". E esse contentamento é algo que a gente vai aprendendo ao longo do discipulado. Nós somos peregrinos de coração tentando entender essa arte secreta do contentamento. Nós aprendemos esse contentamento quando passamos fome ou fartura em Cristo, quando repartimos o que Deus nos deu, quando deixamos a comunidade cuidar de nós, quando recebemos um presente, isso não vira um ídolo. Quando a gente perde sem desesperar, como se a gente tivesse abandonado. Não, não. A lição, nós já sabemos de cor, só nos resta aprender. E a graça de Cristo vai nos fortalecer enquanto nós aprendemos. Somos discípulos, somos no caminho, ainda não chegamos, mas somos fortalecidos pela graça. Agora que nós chegamos no final do texto, permitam-me tirar três implicações sobre como vivemos em comunidade na prática. Todas elas começam com a mesma fórmula, porque Deus ou porque Cristo se fez pobre por amor. E vão terminar com uma pergunta que você só pode responder sim ou não. São elas: Porque Cristo se fez pobre em amor, porventura te faltou alguma coisa? Porque Cristo se fez pobre em amor. A vida feliz depende das muitas opções. Porque Cristo se tornou pobre em amor. Você vive a doação de modo amoroso e que vem lá do Calvário. Então são essas três perguntas. Primeira, e vocês vão ter que responder para mim, sim ou não? Porque Deus se fez pobre por amor? Porventura te faltou alguma coisa? >> Não te faltou nada? Um testemunho que eu vi essa semana de uma missionária fazendo um trabalho lindo na Tanzânia, na África, abrindo poços, plantando igrejas. Ela disse o seguinte: "Precisávamos de um ano de descanso depois de muitos anos trabalhando na África e no Brasil tava difícil para virmos e acabamos passando um ano de sabático na Flórida. E aí um amigo meu arrumou um trabalho para eu ser governanta de uma mulher riquíssima, milionário em condomínio de campo de golf, super chique, só mansões. E eu seria governanta para comunicar com os empregados. Eram 16 hispânicos ou brasileiros. E eu ia ganhar muito dinheiro, trabalhando muito pouco. E era uma grande tentação, porque a gente estava vivendo só com as nossas necessidades surpridas e não tínhamos luxo. E aí perguntavam para mim: "Você tá na Flórida, você tá indo pra Disney?" Ela dizia: "Não, você foi na Universal Studios?" Não, a gente não tem dinheiro para isso. Detalhe, a minha geração separava as pessoas em quem foi paraa Disney e quem não foi paraa Disney. E ela vai orar e aí pensa assim: "Ué, quem sabe, né? Não vai que Deus não tá abrindo uma porta, né?" E aí na hora que ela foi orar, ela ouve uma voz quase que audível e ela diz: "Eu até me assustei na hora que eu ouvi. Porventura te faltou alguma coisa? Eu não te chamei pro luxo, eu te chamei para sua necessidade suprida. A sua necessidade agora é descanso. Ele já nos tinha dado a ordem que era um tempo de sabático, um tempo de descanso. E eu me arrependi diante do Senhor. Ele supriu todas as coisas, foi chegando no final. O que que nós vamos fazer? O dinheiro tá acabando, mas o Senhor foi fiel. A gente teve o necessário. A casa montada de coisa doada, quatro pratos, cinco copos. Foi um tempo muito precioso de restauração paraa minha família, de meditação na palavra. E eu pude fazer um curso de member care por um mês e no sabático, não é só para ficar à toa, né? Eu servi duas vezes por semana na doação de comida aos pobres, organizada pela igreja que éramos membros. Porventura te faltou alguma coisa? >> Você vai ficar nessa mentalidade de escassez escassez ou vai entrar na economia da graça, do dom e do meu presente? vai resolver a vida pelo seu próprio braço. Eu não te chamei pro luxo, eu te chamei paraa sua necessidade suprida. Paulo diz a Timóteo: "Aqueles que querem ficar ricos nessa vida caem em grandes tentações. Não põe esperança nem certeza da riqueza, mas em Deus que de tudo nos provê generosamente para nossa satisfação. Eu te chamei no sabático a ser generosa com os pobres, porque quem descansa em Deus vive generosidade ao que não tem." Dois, a segunda pergunta, preste atenção, como você vai responder isso? Porque Deus se fez pobre por amor. A vida feliz depende de muitas opções. Sim ou não? A vida feliz depende de muitas opções. Não, gente, ela depende de recebermos com gratidão a dádiva limitada e concreta que Deus colocou para nós. Se o filho eterno de Deus se fez homem por nós e pela nossa salvação, e naquele corpo pequeno habita corporalmente toda a plenitude da divindade, tudo num só fragmento, eu não preciso de muitas opções e muitos caminhos para viver satisfeito, porque uma só me basta nele, estar nele em Cristo. Consequentemente, eu quero viver a unidade e não a variedade. Eu posso encontrar uma vida inteira de satisfação no amor limitado de uma esposa ou de um esposo e desejar uma esposa só, porque eu posso receber com gratidão a água que mata minha sede, abundância no concreto que Deus já me presenteou. Mas nós somos seduzidos sem perceber, né? Somos discípulos de Jesus e também discípulos da internet. E o algoritmo seleciona a propaganda que atrai a sua necessidade para te deixar insatisfeita para te vender aquilo. Uma mãe cansada se pergunta se tá sendo, será que eu sou uma boa mãe? E aí vem aquele produto que já tá sendo ofertado dizendo: "Eu vou te ajudar". A menina insegura que ouve falar uma conversa de uma caneta milagrosa que vai diminuir o quilo. Ou o pai de família sobre pressão para pagar as contas que recebe anúncio das betes no seu time favorito e fala: "Será que eu vou poder?" Ou seria o rapaz que tá querendo ser fiel à sua namorada, mas recebe a foto de uma mulher criada por inteligência artificial ou a foto da família perfeita da sua amiga no Instagram e você se sente frustrada porque os seus filhos não estão indo tão bem. E os discípulos da internet que dizem que são discípulos de Jesus acabam por viver profundamente descontentes e não entendem o segredo do contentamento. Qual que é a riqueza que Deus já colocou diante de você? O contentamento permanece e descobre a profundidade naquilo que já recebeu. Os anos dourados de um casamento são quando uma mulher, um homem estão doentes e o outro pode doar sem condições e repetir o mesmo movimento de conformidade a Jesus que não colocou as exigências. Mas se doa até a morte de cruz. Povo de Deus, contentamento não é comodismo, não é chamar o mal de bem, não é acomodação diante da injustiça ou do que precisa ser mudado, mas contentamento é: não despreza a dádiva de Deus, porque estamos hipnotizados por outras possibilidades, por mulheres mais jovens, por homens mais capazes. É muito duro no trabalho pastoral ter que cuidar de meninas, porque os pais venceram pelo mundo, venceram a cobiça, mas a graça foi vencida. E depois a gente tem que falar: "Olha, tem outra família". Como é que você consola isso? Dizendo que é do povo de Deus, mas a cobiça fala outra coisa. e não se conformou ao caminho de Jesus. É por isso que o nosso contentamento tá tão ligado à nossa doutrina da encarnação e da salvação. Deus mostra o pequeno, Deus mostra o humilde, Deus mostra o limitado. É um fazendeiro dizendo: "Eu só tenho essas vaquinhas, mas elas me dão leite. Elas são magrinhas, mas é essas que eu tenho." E a igreja seduzida precisa entender, a igreja perseguida. que une o seu sangue com o sangue de Jesus, dizendo: "Isso aqui vale mais. Nós estamos na igreja seduzida. Povo de Deus, vamos acordar. Pureza de coração é desejar uma coisa só. Eu não preciso ter muitos seguidores. Eu já sigo a um só. Três. Porque Cristo se tornou pobre por amor. Você vive a doação de amor que vem do Calvário? Sim ou não? Porque Cristo se tornou pobre por amor. Você vive a doação de amor que vem do Calvário? Sim ou não? Gostei mais dessa segunda vez. Graças a Deus pelos recursos que ele nos deu. É Deus quem farta de bens a nossa velice e nos coroa de graça e misericórdia. Importante aqui não é uma apologia à pobreza, como se a riqueza fosse má, fosse má, mas nós temos a visão de que prosperidade para um cristão é trazer benefício ao outro. Quem busca os seus próprios interesses nunca vive contente. Mas ainda tem algo mais precioso que é nessa ligação direta entre Jesus, Paulo, os Filipenses e nós nessa participação dos sofrimentos uns dos outros, que nós somos convidados na mesma dinâmica de doação de amor que flui numa cadeia direta direta desde a cruz do calvário. privilégio nós podemos nos tornar exemplos da história de Jesus. de Jesus. Quem que vai ter o dom, o recurso que vai aliviar o sofrimento do seu irmão? Quem vai entrar na dor, na dor emocional, na dor financeira? Coloca para nós, por favor, Letícia, o último, nossa última imagem. Essa se chama passagem de Antônio Petkov. Quem tá lá em cima? Será que vai descer a escada para encontrar quem tá lá embaixo no escuro vendo a passagem? Ano passado, meu filho mais novo teve um problema de saúde que nos custaria muito e a gente não tinha o dinheiro e a necessidade médica era real. E eu me perguntava: "Mas será que a gente não vai fazer por falta de dinheiro?" E Deus me falava: "Você vive como se eu não tivesse, mas eu tô". E a gente ora e sente que Deus queria que a gente fizesse esse tratamento. E aí, como diria Aline, nós demos o passo sem saber se tinha chão. Isso é fé, né, gente? Ô, loucura, né? No dia seguinte, um amigo começou uma conversa com a Aline no WhatsApp e conversa vai, ele fala: "Opa, eu quero te ajudar e junta um grupo e nos dão a metade." metade." No dia seguinte, um professor que trabalhava comigo, que não sabia de nada, entrega um envelope na minha mão e diz: "Só abre quando você tiver junto com a sua esposa. Quando eu abro o envelope, é o valor exato mais o dinheiro da pizza para celebrar. Deus. O meu Deus suprirá todas as suas necessidades de acordo com as suas riquezas em glória. Você tem vivido a doação de amor e generosidade que vem do calvário. calvário. Talvez você pense que você tem pouco dinheiro, mas talvez você tem outro recurso. Talvez Epafeudito não tinha o dinheiro de Lídia, comerciante, vendedora de púrpura. Mas ele tinha coragem, tinha tempo, como se ele dissesse: "Eu não tenho nem ouro, nem prata, mas o que eu tenho eu te dou em nome de Jesus". Foram esses dons que ele te deu e eu te entrego. Assim como o filho de Deus se entregou por mim, eu tô nessa corrente de amor que vem do Calvário. Esse ano eu fui em fevereiro à Etiópia ministrar um curso e a gente às vezes acha que porque a África é pobre. e não tem nada para oferecer. Mas gente, eu vi um país grande, rico em cultura, rico em generosidade, rico em amor e lá eles têm uma coisa que eles chamam de guxa. Gurcha significa: "Eu te convido pra minha casa e depois que você já comeu para caramba, só para te lembrar que você tá sendo cuidado, o anfitrião enfia comida na sua boca. E não é com garfo, não, tá? É com a mãozona. três vezes, só para ter certeza que você já tá bem alimentado. A gur é linda, mas é constrangedora. E esse povo que a gente acha que é pobre, entendeu a mentalidade da graça e da dádiva e tem muito a nos oferecer. A minha oração é que você, mesmo com pouco, aprenda a ser generoso como os etíopes e comece a gurchar os seus irmãos, se isso for verbo em português. Vamos concluir. Cristo, sendo rico, se fez pobre por amor. Paulo aprendeu o contentamento em Cristo. Os filipenses formados, conformados em Cristo, eles entram na pobreza de Paulo e Deus em Cristo permaneceu como a segurança de todos eles. Talvez você também esteja olhando para algum placar difícil, fizeram gol contra e você tá tomando de 3 a 0. Talvez seja uma dívida que você não sabe como pagar, uma porta que não abre, um diagnóstico, uma perda, uma comparação que te diminui, uma vida que parece muito diferente daquela que você imaginou. E a minha geração, gente, está em plena crise de meia idade, perdidos no meio. Esperaram uma coisa, viveram outra. Mas o evangelho nos convida a colocar os ouvidos em uma outra história. Por isso Paulo pode dizer: "Eu aprendi o segredo". Ele não diz aprendi a nunca mais ter fome. Ele diz: "Eu aprendi a viver contente, tendo muito ou tendo pouco, porque eu pertenço àele que me fortalece". Salvação não é algo ao qual eu me agarro e possuo. Salvação é alguém a quem eu pertenço. E quando o mundo te disser agarra, porque você não vai ter o suficiente, ouça de novo a história do evangelho. Quando a falta te disser você foi abandonado, lembre-se de novo que o crucificado e ressuscitado ainda reina. E quando a abundância chegar, não se deixe possuir por ela. Recebe como dádiva e vai fazer circular em amor. Porque o segredo é pertencer àele que se entregou inteiramente por nós. Porque Cristo se fez pobre por amor. Nele nós aprendemos a arte secreta de viver contentes. E o meu Deus, segundo as suas riquezas em glória, ele vai suprir em Cristo Jesus tudo aquilo que vocês precisam. A nosso Deus e Pai seja a glória para todo sempre. sempre. >> Amém.